September 17, 2004
Optimismo
Não tenho lá grande memória para anedotas. Vou escrever esta antes que me esqueça. Li-a no The God of small things da muito querida Arundhati Roy (London, flamingo, p. 242 e seguintes).
Um homem tinha dois filhos gémeos. Um chamava-se Pete e era optimista; o outro chamava-se Stuart e era pessimista. Um dia, quando fizeram treze anos, o pai deu como presente ao Stuart, um relógio caro, um conjunto de carpintaria e uma bicicleta, mas para o Pete encheu o quarto com caca de cavalo.
Pete não desejava nenhuma das coisas do irmão e quando chegou ao quarto pôs-se a pensar no que havia de fazer.
Quando o pai abriu a porta viu caca a voar por todo o lado, mas não viu o filho e perguntou:
- Que raio estás tu para aí a fazer?
De dentro do monte de caca, ouviu-se a voz de Pete:
- Com tanta caca, tem de haver um pónei por aqui!
Pois a verdade é que conheço casos de optimistas ainda mais infelizes do que Pete. Felizmente, o optimismo impede-os de ser tão infelizes quanto parecem aos olhos dos outros. Por pior que seja a situação, encontram sempre uma janela que anuncia melhores dias e aceitam o destino como se estivessem no melhor dos mundos possíveis, como o Candide de Voltaire.
Publicado por lfredes às 04:56 PM | Comentários (1)